9.11.2017
VANTAGENS DO ZEBU
Sob o título “Por Que os Criadores Brasileiros Preferem o Gir”, o engenheiro- agrónomo Francisco Teatini realizou um estudo interessante, que me permito resumir para os leitores. Começa ele dizendo que são sete as razões principais dessa preferência, a saber: em primeiro lugar, por ser o Gir uma raça mista, produzindo satisfatoriamente leite e carne. Nos países onde a economia é oscilante, diz o Dr. Teatini, uma raça mista atende perfeitamente bem à demanda nos dois setores e o criador pode auferir maiores lucros, o que vem garantir a sua subsistência e melhorar seu padrão de vida.
No Estado de Minas Gerais, continua ele, já existem mais de 100 fazendas de seleção de Gir Leiteiro, como a Granja Calciolândia do Dr. Gabriel Donato de Andrade, a Fazenda do Sr. João S. de Paula, em Curvelo, as Fazendas dos selecionadores João Teixeira e Tonico Dutra, em Sete Lagoas, a Fazenda Brasília, de Rubens Resende Peres, e muitas outras no centro de Minas, cuja seleção de Gir Leiteiro é feita com sucesso.
Quanto à questão do ganho de peso, diz o Dr. Teatini que as últimas exposições têm demonstrado que o Gir vem apresentando auspicioso melhoramento, pesando mais que outros animais de outras raças e com maior rendimento de carcaça.
Em segundo lugar o Gir é mais manso e sóbrio. Lembra o agrônomo que os currais, nas fazendas do Brasil, geralmente são construídos perto das sedes, daí a aceitação do Gir ser maior, pois a sua mansidão permite que mulheres e crianças ajudem na lida de tirar o leite. Como terceira vantagem, diz êle, a mansidão facilita a inseminação artificial, o que a torna mais fácil no Gir do que em outras raças zebuínas, facilitando o melhoramento genético mais rápido.
Em quarto lugar, está a longevidade do Gir. Vive mais que as outras raças e, no cômputo final, produz mais bezerros e mais leite. Existem muitas vacas Gir com 22 e até 26 anos, ainda produzindo. Algumas vacas, segundo o Dr. Teatini, chegam a produzir de 16 a 18 crias, o que, sem dúvida, é notável.
Como quinta vantagem, o agrônomo cita a facilidade de comercialização do Gir, em vista do elevado número de criadores e do número sempre crescente de gente querendo criar aquela raça, o que torna a procura maior que a oferta. Cita, ainda, o doutor Teatini, a questão de capacidade de sobrevivência em zonas desfavoráveis. Na região Noroeste de Minas, por exemplo, onde predominam os campos de cerrado, foram introduzidas no passado diversas raças indianas e europeias. Hoje, o Gir predomina naqueles campos em proporção esmagadora.
Por fim, diz o agrônomo que q Gir é sempre uma raça de grande atração, dispondo de características bem distintas, o que levou WARE a afirmar que sua “aparência geral é admiràvelmente impressionante”.
Texto de Eduardo Almeida Reis publicado no suplemento semanal "O Globo no Campo", ano I, n. 45, periodo de 14 a 20 de maio de 1968, do jornal "O Globo", Rio de Janeiro . Digitalizado, adaptado e ilustrado para ser postado por Leopoldo Costa.

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