2.28.2026

Papa Pio XII e o holocausto

Papa Pio XII em 1961

Qualquer pessoa que se informa sobre o Holocausto já deve ter se perguntado: como tudo isso foi possível? Os outros países não sabiam que estava em curso um programa de extermínio que tirou a vida de 10 milhões de pessoas, sendo 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de crianças, entre outros grupos como negros, pessoas da comunidade LGBTQIA+, povos Roma e Sinti (conhecidos como ciganos), presos políticos, pessoas com deficiência, testemunhas de Jeová e todos os que tinham empatia e arriscavam suas vidas para proteger uma vítima? Nesta semana, o jornal italiano Corriere Della Sera revelou a existência de uma carta endereçada ao Papa Pio XII que prova que o pontífice tinha conhecimento dos crimes cometidos pelos nazistas em campos de extermínio.

O QUE DIZ A CARTA?

Em 14 de dezembro de 1942, Lothar König — um jesuíta alemão da resistência antinazista — escreve ao secretário de Pio XII, o também alemão Robert Leiber, mencionando:
- A existência do crematório da SS no campo de concentração de Belzec, localizado na Polônia, na época;
- Que "até 6000 mil homens morrem todos os dias, especialmente poloneses e judeus" em Belzec;
- Também menciona a existência de Auschwitz e Dachau;
- Além de indicar que esta não era a única correspondência entre o jesuíta alemão e o Vaticano.

POR QUE ISSO É TÃO IMPORTANTE?

Muito se discute sobre a atuação de Pio XII diante do Holocausto. Quem encontrou a carta entre os registros armazenados aleatoriamente na Secretaria de Estado do Vaticano foi o arquivista Giovanni Coco. Se antes era possível dizer que o mundo não sabia o que realmente acontecia dentro dos campos de concentração nazistas, o documento de 1942 comprova que a Igreja Católica alemã se comunicou oficialmente com o Vaticano, informando que aquilo que foi chamado de campo de trabalho era, na verdade, um local de extermínio sistemático de judeus e outros grupos perseguidos pelo regime nazista. “É um caso único, tem um valor enorme”, disse o arquivista em entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera.

Texto de Patrick François Jarwowky publica no site "Quora" . Editado por Leopoldo Costa


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